Délio Novais de Guanais Neto foi exonerado após suspeitas de irregularidades em contrato de quase R$ 3,5 milhões; denúncias envolvem pagamentos por serviços não prestados e funcionários “fantasmas”.
O município de Palmeiras, na Chapada Diamantina, vive uma crise na gestão municipal após a exoneração do secretário de Infraestrutura, Délio Novais de Guanais Neto, publicada no Diário Oficial na última sexta-feira (8). A saída ocorre em meio a denúncias de irregularidades na execução de um contrato no valor total de quase R$ 3,5 milhões.
O procurador do município, Hingro Paiva, informou que uma nota oficial será divulgada para esclarecer o ocorrido. Segundo o decreto de exoneração, a medida “não possui caráter punitivo” nem configura sanção disciplinar. Délio estava à frente da pasta desde o início do mandato do prefeito Wilson Rocha, e até o momento não foi anunciado um substituto.
As denúncias que levaram à crise
O contrato sob suspeita, assinado em setembro de 2025 com a empresa EFS Empreendimentos e Serviços, previa “serviços contínuos de mão de obra não finalística na modalidade hora/homem” para manutenção de prédios públicos, entre outros serviços. Em 27 de abril, o vereador Eduardo Antônio (Dudu) levantou na sessão da Câmara uma série de irregularidades:
- Pagamento integral no mês da assinatura: o contrato foi firmado em 16 de setembro, mas a prefeitura já teria pago o valor integral do mês, mesmo sem a empresa ter trabalhado os 30 dias;
- Funcionários “fantasmas”: a planilha de pagamentos incluía vigias, cozinheiras, porteiros e auxiliares de limpeza que, segundo o vereador, são cargos preenchidos por concurso ou seletiva, não por terceirizada. Também foram citados cuidadores de ensino médio e monitores de aluno que não existem na rotina escolar, de acordo com o edil.
- Veículos inexistentes: o contrato prevê pagamento de mais de R$ 216 mil por carros que, conforme a denúncia, não existem.
- Salários divergentes: um exemplo, seriam os funcionários de ligação de água, que constam no contrato com salários de R$ 1.700, mas recebem apenas R$ 500 em espécie, fato que teria sido confirmado pelo parlamentar em conversa com os próprios profissionais.
“Isso é um tapa na cara da gente”, afirmou Dudu durante a sessão, questionando se os colegas parlamentares iriam “fechar os olhos” para o caso.
Reações e outras denúncias
O vereador Kleber Fernandes, ligado à situação, afirmou que já havia comunicado a administração sobre a necessidade de revisão ou suspensão do contrato, classificado por ele como “temerário”.
A sessão também motivou outras revelações. O vereador Tiago Rôla denunciou que, segundo dados do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a gestão paga R$ 753 mil por assessoria jurídica, mesmo tendo um procurador municipal no quadro, valor que considerou abusivo. Ele defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos.
A vereadora Hérika Costa se uniu aos colegas afirmando ter em mãos informações sobre outras irregularidades, como uma empresa que teria entregue computadores usados para a pasta da Educação.
Em meio a uma crise que, segundo o próprio denunciante, teria sido anunciada previamente por um perfil de Instagram, os cidadãos de Palmeiras seguem aguardando um pronunciamento oficial. O contrato, segundo o vereador denunciante, teria sido suspenso após essas denúncias e a exoneração do secretário sucede a instauração do Processo Administrativo Disciplinar nº 01/2026, por meio da Portaria nº 69/2026, o que, segundo o decreto pretende contribuir para a sua independência.
Ananda Azevedo | Foto: Divulgação Palmeiras